Após 7 anos, morte de jovem no CPA 3 segue sem respostas

Às vésperas de completar 7 anos, a morte da jovem Juliene Gonçalves, ainda causa inquietação. Não só pela cena brutal qual seu corpo foi exposto, mas também pela sensação de que a justiça não foi feita, já que nenhum suspeito do crime foi preso e julgado até hoje.

Nas primeiras horas do dia 28 de maio de 2012, o corpo de uma mulher jovem, negra, foi encontrado nu, pendurado na grade de um campo de futebol do Bairro CPA 3, em Cuiabá. Era Juliene. Ela estava amarrada pelo pescoço com uma calça jeans, a mesma que usava quando saiu de casa. As investigações apontaram que ela foi morta asfixiada, enforcada com um fio de luz. Principal suspeito do crime é A.R.S., hoje com 37 anos. Ele morava na mesma rua da vó da vítima, e na noite do crime, deu carona para ela e para um primo, que foi deixado primeiro em casa.  No dia seguinte, nas primeiras diligências do crime, A., foi apontado como a última pessoa a ter estado com Juliene. Ele foi preso e, em menos de 1 mês, teve a prisão revogada.  A Justiça entendeu que era preciso uma investigação mais cautelosa, apesar da polícia ter encontrado em seu carro um pedaço de fio de luz e o celular de Juliene.

 

Em busca de respostas

O advogado da família Gonçalves, Alberto Scaloppe, conversou com a reportagem do Gazeta Digital e explicou que o inquérito da Polícia Civil já foi finalizado e entregue ao Ministério Público Estadual (MPE).

“Estamos tentando atuar em conjunto com o MPE, que até então, não estava convencido da culpabilidade do suspeito e por isso nenhuma denúncia foi oferecida até hoje”.

Para o advogado, não há outro caminho que possa apontar novos suspeitos. “Tudo leva para o A., esse é o único caminho. Quanto mais tempo sem nenhuma denúncia, mais difícil fica para concluir o processo, seja para periciar o carro, os materiais encontrados, o DNA”.  Há 1 ano como advogado da família, Alberto ressalta que o inquérito é muito angustiante, tal como a espera pelo MPE. “Estamos, de certa forma, amarrados, aguardando andamento do processo no órgão”. Ainda assim, ele é otimista. Não só para que o caso seja encerrado logo, mas também para aliviar a dor da família de Juliene.

“Já estamos esperando a denúncia do MPE, e vamos trabalhar para depois disso, acelerar o julgamento, não podemos esperar mais 6 anos. Queremos isso em até 3 anos”, disse.

 

No MPE

À reportagem, o MPE informou que o promotor Reinaldo Rodrigues de Oliveira Filho, ainda não elucidou os fatos e que, por isso, não ofereceu nenhuma denúncia criminal.

 

“O MP requisitou a identificações de telefones da vítima e de pessoas próximas para fazer o cruzamento de dados”, diz trecho da nota do MPE.

 

Maio Juliene

O movimento Mulheres no Hip Hop Mato Grosso, desde 2016, se mobiliza para lembrar das vítimas de feminicídio, uma delas é Juliene. Elas denominaram o ato como ‘Maio Juliene’, por ser um crime que resultou na exposão da vítima e também pelo sentimento de impunidade que se prolonga desde então. Dos 207 homicídios registrados em Mato Grosso no primeiro trimestre deste ano, 24 envolvem vítimas femininas, e 12 foram identificados como feminicídios. As mulheres que precisam de auxílio podem recorrer ao Disque 180, e às Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher ou qualquer delegacia do município que reside.

 

Publicado no Gazeta Digital